ISSN 1993-8616

2009 - número 2


Línguas em perigo: o pensamento ameaçado





© UNESCO
Detalhe do cartaz do Dia Internacional da Língua Materna (2009).

Com a morte de Marie Smith Jones, no ano passado, a língua eyak do Alaska (EUA) foi extinta; com o falecimento de Tevfik Esenç, a língua ubykh da Turquia extinguiu-se em 1992; o mesmo ocorreu com o manês, da ilha de Man, quando Ned Maddrell faleceu, em 1974. Assim, no decorrer das últimas três gerações, verificou-se o desaparecimento de cerca de 200 línguas, de acordo com o novo Atlas UNESCO das Línguas em Perigo no Mundo.

Este número do Correio, publicado por ocasião do Dia Internacional da Língua Materna (21 de fevereiro), debruça-se sobre este fenômeno especialmente inquietante: com a extinção das línguas, desaparecem não só palavras, mas também saberes preciosos, como maneiras de se ver o mundo e de se comunicar, além de universos de pensamento. Mais

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Disponível em sete línguas.

Cada língua é um universo de pensamento único

O linguista australiano, Christopher Moseley, explica a importância crucial da preservação das línguas e apresenta as principais inovações da 3ª edição do Atlas das Línguas em Perigo no Mundo, lançado recentemente pela UNESCO.  Mais

Os macacos, o escorpião e a serpente

A pedra é uma palavra mineralizada, a água é uma palavra sorridente, a semente lançada na terra é uma palavra em promessa: para a língua toro tégu, falada atualmente por 5 mil dogons, no norte de Mali, cada elemento da realidade é concebido como sua parte integrante.  Mais

Falando sério: o que é o ch'ti?

Nos últimos meses, o filme francês "Bienvenue chez les ch'tis" (Boas-vindas entre os ch'tis) tem divertido os espectadores europeus. A realidade, no entanto, é menos engraçada: o ch'ti, variante do picardo – língua falada no norte da França –, tornou-se um fator social estigmatizante ou, no mínimo, algo de folclórico.  Mais

Wuthing we gwen tull?

Uma mesma língua é falada nas ilhas de Norfolk e de Pitcairn, no Oceano Pacífico. Sua evolução, no entanto, tem sido diferente em decorrência da distância de 6.288 quilômetros entre elas. Um nativo norfolquino nos relata a formidável aventura dessa língua, surgida no final do século XVIII, e que se dividiu em duas versões ao termo de 70 anos.  Mais

Epidemia ameaça línguas autóctones

Apesar do reduzido número de falantes, algumas línguas possuem uma grande vitalidade, enquanto outras foram preservadas pelo isolamento de seus praticantes. Esses fenômenos, aparentemente paradoxais, são explicados pela equatoriana Marleen Haboud.  Mais