ISSN 1993-8616

2008 - número 4


Editorial






© UNESCO/Aleksandar Džoni-Šopov
Os jornalistas podem ajudar a mudar o mundo. Prova disso é a repórter mexicana Lydia Cacho Ribeiro (45), cuja coragem impressionou os membros do júri do Prêmio Mundial UNESCO/Guillermo Cano de Liberdade de Imprensa 2008. Em uma entrevista exclusiva concedida a nossa colega Lucia Iglesias no dia em que o prêmio foi anunciado, Lydia explica como ela tem contribuído para a evolução da legislação relativa à pornografia infantil em seu país e para a abolição da detenção legal de jornalistas devido a acusações de calúnia e difamação.




É precisamente porque os jornalistas possuem real poder que eles têm muito inimigos que não hesitam em matá-los para silenciá-los. Embora o direito internacional obrigue os Estados a punirem esses crimes, a justiça em muitos casos não tem poder. No entanto, quando o jornalista é morto somos todos vítimas, explica Toby Mendel, Diretor do "ARTIGO 19", uma organização internacional de direitos humanos que protege a liberdade de expressão em todo o mundo.

Para ilustrar a tragédia desses assassinatos, nosso colega libanês Bassam Mansour retrata seu famoso compatriota Gébran Tuéni, assassinado em dezembro de 2005. Por 17 anos, esse diretor do jornal "An-Nahar" publicou um suplemento dedicado à geração de jovens que ele via como "um retrato diário de uma geração inteira à qual ninguém tem prestado atenção, seja no passado, seja no presente". Seu silêncio pesa agora sobre o futuro deles.

A jornalista norte-americana Susan Moeller aborda temas da juventude. Ela acredita que a luta pela diversidade de expressão começa com a educação. Ensinar a estudantes como retratar eventos e problemas do passado não é suficiente. Diretora do Centro Internacional para a Mídia e a Agenda Pública, ela explica que os jovens também devem ser conscientizados sobre a importância de uma imprensa livre e objetiva.

Mas como uma imprensa livre e objetiva pode ser garantida, se os próprios jornalistas não têm acesso à informação que lhes interessa e freqüentemente precisam confiar em rumores para escrever seus artigos? "Com a exceção da África do Sul, de Angola e Uganda, a África tem estado atrasada no movimento global pela adoção de leis de liberdade de informação que garantam que os jornalistas tenham acesso à informação sob o controle das autoridades públicas", explica o jornalista de Togo Gabriel Baglo, diretor do Escritório Africano da Federação Internacional de Jornalistas.

O jornalista Paul Taylor, da Reuters, acrescenta: "por muito tempo eles se recusaram a nos dar as listas que mostram que, particularmente no Reino Unido, a família real e os grandes aristocratas estão entre os principais beneficiários dos subsídios agrícolas europeus". Quem são "eles"? A Comissão Européia diz que são os estados-membros. Taylor explica que foram necessários dez anos de campanha para que os jornalistas tivessem acesso a certos arquivos considerados “sensíveis” pelas instituições européias de Bruxelas.

Acesso à informação para todos, mas primeiramente para aqueles cujo trabalho é tornar a informação pública: isso é o que os jornalistas e especialistas que contribuíram para essa edição dedicada ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado em 3 de maio, em Maputo, têm pedido.

Além da entrega do Prêmio Mundial de Liberdade de Imprensa a Lydia Cacho Ribeiro, a UNESCO também organizou na capital de Moçambique, por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, uma conferência internacional intitulada "Liberdade de Expressão, Acesso à Informação e Empoderamento do Povo".



© UNESCO/Yves Bergeret
Até o final deste mês, a UNESCO também celebrará o Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento. Para marcar esse dia, o Correio está publicando o artigo intitulado "Koyo, um lugar para o diálogo entre duas culturas". Por quase oito anos, um poeta francês e seis pintores do Mali têm criado, em um pequeno vilarejo, trabalhos que não pertencem nem à cultura ocidental nem à cultura Dogon, nem à poesia nem à pintura... Eles abrem um novo espaço para o diálogo e a criação.

Finalmente, o Correio conta a triste porém divertida aventura de um gênio rebelde, o croata Marin Držić, considerado um dos maiores dramaturgos da Renascença. Ele nasceu há 500 anos em Dubrovnik, uma jóia da costa dálmata, agora parte da Lista do Patrimônio Mundial. Morreu em Maio de 1567, em Veneza, sem ter conseguido convencer Cosme de Médici a depor o Senado do seu lugar de origem, "aquele monstro de 20 cabeças que tiraniza o povo".

Jasmina Šopova

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