2008 – número 4
Liberdade de expressão: um direito que deve ser ensinado

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 © David Wise
"A liberdade de imprensa não é importante apenas em tempos de crise política."
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Um paradoxo: no momento em que a mídia nunca foi tão vital para o fortalecimento da sociedade civil, a liberdade de expressão está sendo reduzida. Nenhuma sociedade pode ser livre, aberta e justa sem a diversidade de vozes. Para remediar essa situação, estudantes de jornalismo devem, em primeiro lugar, aprender a desenvolver o senso crítico.
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Ma mère, une femme solide et pleine de vie, ne m'a jamais parlé de ce qu'elle avait vécu. Lorsqu'elle est arrivée en Israël, en 1948, elle a fait ôter le nombre qui lui avait été tatoué à son entrée à Auschwitz. Enfant, je n'ai donc jamais su que « ma mère avait été victime de l'Holocauste », ni que son fils, dont elle cachait les photos dans son tiroir à lingerie que j'allais ouvrir en cachette, n'était plus de ce monde.
C'est à l'adolescence qu'a commencé pour moi un cheminement long et complexe vers la vérité, sans cesse redéfini par chaque étape de notre vie. C'est une question ouverte avec laquelle je vis, et un engagement que je porte, fidèle à l'éthique de ma mère, celui de me comporter en « être humain véritable ». Et c'est pour moi la seule vraie leçon à tirer face à l'abîme de l'humanité.
La plupart de mes écrits, qu'il s'agisse de romans, de poèmes ou d'essais, tentent, encore et encore, de mettre en mots ce vécu et ce devoir singuliers et extrêmes.
L’amour d’Ilana pour le Palestinien Saïd l’emplit d’un sentiment de trahison vis-à-vis de son père. Pouvez-vous nous parler de ce sentiment ?
La liaison entre Ilana et Saïd fait ressortir la dimension passionnée – voire érotique – du conflit israëlo-palestinien. Un conflit qui, au bout du compte, puise ses racines dans les religions abrahamiques, fondées sur l’esprit d’exclusion et une rivalité passionnée entre frères.
Ce conflit politique a des conséquences tragiques, puisque la loyauté envers l'une des histoires est tout simplement perçue comme la trahison inévitable de l'autre. Ilana, qui soutient le camp de la paix, pense pouvoir dépasser cette frontière, même si elle trahit l'engagement sioniste de son père. Mais au fil du roman, en poursuivant sa lecture des archives paternelles, elle comprend que le rêve de paix qu'il a nourri n'est pas si éloigné du sien, alors qu'au moment de la guerre du Golfe et de l'Intifada, elle se sent au contraire trahie par Saïd et par les membres de la compagnie théâtrale palestinienne, qui se détournent peu à peu de leur collaboration.
Où est la trahison, où est la loyauté ? C'est une question cruciale que Sur le vif traite d'un point de vue personnel, érotique et politique. En se demandant, aussi, si trahir des convictions trop rigides n'équivaut pas, dans le fond, à un véritable acte de loyauté. C'est une question qu'une femme est sans doute à même de poser de la façon la plus poignante, dans la mesure où on lui concède rarement le droit de le faire, où les femmes ont rarement la possibilité de maîtriser leur existence et leur corps.
Qual é o papel de um professor de jornalismo?
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 © Maurice Albrecht
"Aprendendo a perceber o que não é dito nem mostrado."
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No último verão, 50 estudantes e uma dúzia de professores de 14 universidades em cinco continentes se reuniram em Salzburg, Áustria, para tratarem exatamente daquelas perguntas. Um dos professores que são parte dessa iniciativa global veio da China. Ao começo do programa de três semanas ele expressou grande preocupação. Qualquer que fosse a qualidade do treinamento em sua universidade, seus alunos de jornalismo não estavam sendo contratados, empresas privadas de mídia não queriam pagar por repórteres e editores quando eles podiam conseguir estagiários não-pagos para fazer o trabalho. Além disso, disse o professor, grande parte da mídia era do tipo tablóide, no qual notícias sólidas – para não dizer precisas e equilibradas – não são valorizadas. A fofoca e a vida das celebridades dominam a imprensa chinesa e a mídia online. O que ele deveria fazer como professor de jornalismo?
As três semanas da Academia de Salzburg para a Mídia e a Mudança Global, durante as quais os participantes criaram um currículo para o ensino da alfabetização em mídia a estudantes de todo o mundo, transformaram a opinião daquele professor chinês sobre seu trabalho. Sua função não era apenas ensinar a estudantes de jornalismo como fazer reportagens sobre eventos e assuntos ao seu redor, mas a instruir todos os alunos da universidade sobre a importância de uma mídia livre e justa. Sem um público bem educado para entender o quanto o acesso a informação é essencial para o exercício da cidadania, não haverá pressão social por um jornalismo de qualidade.
A mídia nunca foi tão vital para o fortalecimento da sociedade civil, mas a liberdade de expressão está, agora, sendo reduzida. Tanta atenção tem sido direcionada à gestão das novas tecnologias, à viabilidade dos modelos de negócio existentes, às dramáticas mudanças demográficas por que passaram os públicos e à aparentemente insaciável demanda por escândalos que tem havido pouco espaço para a expressão de outras preocupações.
Organizações pela liberdade de imprensa têm passado por grandes perdas globais – as violações ao direito de expressão, os ataques a jornalistas, a repressão à mídia física e virtual, a marginalização das vozes das minorias. Recentemente, os ataques contra a livre expressão e a livre imprensa têm se tornado impossíveis de ignorar.
Uma questão de vida ou morte
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 © E. Boy
"A mídia nunca foi tão vital para o fortalecimento da sociedade."
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De acordo com a Associação Mundial de Jornais, sediada em Paris, no último ano 95 funcionários da mídia foram mortos – 44 somente no Iraque, 8 na Somália, 6 no Sri Lanka e 5 no Paquistão. Outros 110 trabalhadores da mídia morreram em 2006 – entre eles líderes como a repórter investigativa Anna Politkovskaya. No Paquistão, quando o Presidente Pervez Musharraf suspendeu a constituição em novembro passado, diversas estações de TV foram fechadas, as transmissões para as redes a cabo estrangeiras foram suspensas e controles sobre o conteúdo das notícias foram estabelecidos. Punições contra jornalistas incluíram desde altas multas até a suspensão das licenças de transmissão, incluindo até mesmo penas de prisão de até três anos. E, mesmo no Ocidente, a França tem tido dificuldades em lidar com os filhos e netos de imigrantes do norte da África, marginalizados de várias formas – incluindo em seu acesso à mídia, ao menos que protestem. Eles têm sido demonizados por meio de estereótipos que reforçam uma imagem negativa muito distante da realidade.
Não deveriam ser necessários protestos e revoltas para colocar a liberdade de expressão no centro das atenções. A liberdade de imprensa é essencial não apenas em tempos de crise política. Uma mídia livre, que permita que uma diversidade de vozes seja ouvida e que todas as idéias sejam discutidas, desempenha um papel central tanto na manutenção e monitoramento de um bom governo, quanto na promoção do desenvolvimento econômico e no encorajamento da transferência e credibilidade corporativas. A liberdade de expressão é uma questão de vida ou morte e está relacionada ao pão de cada dia. Para que se viva uma vida boa e segura, o público deve entender o quão fundamental é o direito à liberdade de expressão. Como podemos defender essa idéia? Por meio das escolas, de aulas e estudos de caso, de trabalhos que não apenas dêem aos alunos ferramentas para criticarem a mídia por suas notícias de tablóide ou por explorarem os pontos fracos da população jovem , mas que lhes mostrem que, sem a diversidade de vozes, sem uma mídia que possa representar todas as opiniões, não pode haver uma sociedade que seja livre, aberta e justa. Sem a habilidade de ouvir todos, sem a proteção de todas as vozes, apenas os poderosos serão ouvidos. Ensinar todos os estudantes a avaliar o que lêem e ouvem e ensiná-los a notar o que não está sendo dito e não está sendo mostrado é crítico para que eles exerçam os seus direitos como cidadãos e acessem as oportunidades.
Em 8 de agosto, quando os Jogos Olímpicos começarão, muitos dos espectadores acharão natural poder assistir a atletas de todo o mundo competindo nos diferentes eventos. Não seria ótimo se a diversidade nos jogos estivesse refletida na diversidade de expressões na mídia? Não seria ótimo se todos aqueles assistindo aos jogos pelo menos entendessem que isso não deveria ser apenas um direito, mas uma real necessidade?
Susan Moeller, diretora do Centro Internacional para Mídia e Agenda Pública (Estados Unidos)
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