2009 - número 4
A natureza na escola

|
 © UNESCO/Michel Ravassard
Rainha Rania Al-Abdullah da Jordânia, durante visita oficial à sede da UNESCO.
|
Ainda impreciso, o conceito de Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) impregna, aos poucos, a sociedade jordaniana. A sensibilização dos jovens para os problemas de gestão da água adquire uma importância primordial para a rainha Rania Al-Abdullah da Jordânia, embaixadora de Boa Vontade da UNESCO e presidenta do Grupo dos Dirigentes Árabes para o Desenvolvimento Sustentável.
Entrevista concedida a Cathy Nolan (UNESCO).
Quais são as implicações da Educação em favor do Desenvolvimento Sustentável na região árabe?
A EDS tornou-se um imperativo tanto na Jordânia quanto nos outros países do mundo árabe. Com efeito, apesar de ter deixado de ser uma abstração, o desenvolvimento sustentável ainda não faz parte dos hábitos adquiridos da população. Temos a obrigação de prosseguir a sensibilização nas escolas e nas universidades, assim como no âmago dos setores público e privado, se quisermos tirar o máximo proveito de nossos preciosos recursos naturais e oferecer um futuro mais promissor a nossos jovens.
Para conseguir seu desenvolvimento, o mundo árabe tem de enfrentar desafios gigantescos: 5,7 milhões de nossas crianças estão fora da escola (das quais 3,5 milhões são meninas) e 8,9 milhões de jovens são analfabetos. Além disso, a taxa de desemprego de nossos jovens encontra-se entre as mais elevadas: somente um em cada quatro tem emprego. Não é esse o futuro que eu desejo para a juventude árabe. Esses jovens devem ser a primeira de nossas prioridades.
Cerca de 60% dos habitantes de nossa região têm menos de 30 anos, número que se eleva a 70 milhões de jovens em todo o mundo árabe. Essa faixa da população precisa de nossa ajuda a fim de estar preparada para enfrentar a vida adulta e isso significa que, desde agora, devemos criar postos de trabalho; esses jovens devem adquirir competências e ferramentas, a fim de se tornarem competitivos no mercado regional e mundial do trabalho. Ora, em nossa opinião, a pedra angular desse processo é a EDS.
Estou satisfeita com os progressos já realizados neste domínio. No ano passado, um grupo de dinâmicos empresários criou o Grupo dos Dirigentes Árabes em Favor do Desenvolvimento Sustentável, cuja presidência tenho a honra de ocupar. Além de publicarem relatórios sobre o desenvolvimento sustentável e mobilizarem a sociedade civil e outros empresários, seus membros orientaram sua atividade de maneira a promover a vitalidade econômica, a integridade ecológica e a equidade social. É, aliás, por aí que se deve começar: esses pioneiros nos mostram o caminho a seguir, mas ainda nos resta percorrer um longo trajeto.
Nesse tipo de educação, quais são os aspectos mais importantes para você e para o seu país?

|
 © UNESCO/Mustafa R. Mohammed Daras
"Conseguimos a paridade de gênero em todos os níveis de educação da Jordânia”, declara Rania.
|
Em nossa opinião, todos os aspectos são importantes para a prosperidade atual e futura da Jordânia. Mas, considerando a escassez de recursos à nossa disposição, a educação que visa ao respeito pela água e por sua boa gestão é a primeira de nossas prioridades, além da preservação e da melhor exploração do conjunto de nossos recursos naturais e, em particular, de nossas magníficas reservas naturais.
Para nós, a EDS é importante, também, do ponto de vista da igualdade entre os sexos. Sinto orgulho de poder afirmar que, na Jordânia, atingimos a paridade em todos os níveis da educação: no ensino superior, o número de moças supera o de rapazes! Mas tal situação não se reflete ainda no mercado do trabalho. As mentalidades são rígidas e as moças continuam a se casar e a ter filhos cedo demais. Ainda que essa situação esteja felizmente em via de mudar, elas ainda permanecem à margem do mercado do trabalho. A EDS serve, igualmente, para ensinar às crianças e aos pais o papel decisivo e produtivo que as moças podem desempenhar no desenvolvimento do país.
Você poderia citar alguns projetos?

|
 © Simon Chauvin
Reserva natural de Dana, Jordânia.
|
Para falar honestamente, o conceito ainda é impreciso, mas fazemos tudo o que está ao nosso alcance para sensibilizar e aprimorar a visibilidade da EDS; aliás, ela já figura na legislação relativa à proteção do meio ambiente.
A Jordânia criou, por exemplo, um grupo de trabalho no plano nacional formado por membros do governo, universidades, ONGs e setor privado, a fim de promover esse tipo de educação em todos os domínios.
A Sociedade Real para a Proteção da Natureza (RSCN), em colaboração com o Ministério da Educação, inscreveu a proteção do meio ambiente nos programas educacionais jordanianos a fim de sensibilizar a população desde a pequena infância. A RSCN organiza grupos “Natureza” nas escolas; além disso, já criou mais de mil clubes de defesa do meio ambiente nos estabelecimentos locais, com a produção de cartilhas de EDS.
Várias ONGs se empenham em oferecer aos jovens e às mulheres, por todo o território nacional, possibilidades de educação tanto formal quanto informal, em lugares e em horários acessíveis às mães que devem conciliar a vida familiar com atividades de aprendizagem.
A Jordânia figura, também, entre os quatro países do mundo árabe (em companhia do Líbano, Omã e Tunísia) que reservam verbas destinadas exclusivamente à EDS no orçamento dos estados, sinal de nosso compromisso no sentido de modificar, de forma sustentável, a situação.
Nem todo o mundo sabe que, na Jordânia, existem extraordinárias reservas naturais: além de terem permitido o desenvolvimento de vários projetos premiados na área do turismo sustentável e do ecoturismo, elas nos ajudam a proteger e a promover nossos bens mais preciosos. Em colaboração com a RSCN e várias outras ONGs, esforçamo-nos por encontrar o justo equilíbrio entre o desenvolvimento dessas regiões e a promoção do turismo, fonte de renda para as comunidades locais.