2009 - número 4
A jovem que salvava estrelas do mar

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 © Jacaranda Designs Ltd
Multidão corre em direção ao Chanuka Express.
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Uma dezena de animadores, uma pilha de exemplares de uma revista educativa, um ônibus… eis o que pode bastar para sensibilizar milhares de alunos sobre a questão do desenvolvimento sustentável. Com o slogan "essa é nossa vida, esse é nosso mundo", os iniciadores do programa Chanuka, no Quênia, encontraram a maneira de fazer com que jovens de bairros desfavorecidos se tornassem, aos poucos, agentes de mudança.
Um idoso andava em uma praia quando se deparou com um banco de areia coberto por milhares de estrelas do mar. Ao erguer a cabeça, viu à sua frente uma moça devolvia, uma a uma, as estrelas ao oceano. "Boba!", vociferou ele. "Você nunca conseguirá salvar todas essas estrelas; seu número é incontável!"
"Eu sei disso", respondeu a moça, toda sorridente; "mas, no mínimo, posso salvar esta". Suas palavras eram acompanhadas com o gesto de lançá-la nas ondas. Ao fazer o mesmo com outras, acrescentou: "também esta, e ainda esta..."
Nenhum de nossos gestos é inofensivo: eis a mensagem que, há vários anos, o programa queniano Chanuka está empenhado em transmitir aos jovens em função de eles terem o poder de agir e saberem dar livre curso a suas capacidades.
Em kiswahili, "chanuka" significa, ao mesmo tempo, "vire-se" e "aprimore seus conhecimentos para utilizá-los da melhor maneira possível". Resultado de uma parceria entre a UNESCO e Jacaranda Designs - com o apoio, em particular, de Tetra Pak e Shell -, o programa Chanuka é dotado de um orçamento anual de cerca de US$ 160 mil, dos quais 10% correspondem à participação da Representação da UNESCO, em Nairobi. O programa é gerenciado por alguns membros da equipe de Jacaranda Designs com a ajuda de uma dezena de estudantes voluntários. Sua boa mensagem - assim como seus serviços educacionais - é transportada em um ônibus, o "Chanuka Express", com o slogan: maisha yetu, dunia yetu (essa é nossa vida, esse é nosso mundo).
Para mobilizar os adolescentes nas escolas e nos bairros desfavorecidos, o programa cria grupos de jovens retransmissores, designados por seus pares nos clubes Chanuka, que focalizam as questões que lhes parecem prioritárias em segurança pessoal, saúde e higiene, acesso à água e saneamento ou em degradação do meio ambiente. Os clubes contam, no total, cerca de 5 mil membros.
A exemplo da atitude da salvadora de estrelas do mar, esses jovens estão decididos a proceder a mudanças que vão exercer influência tanto sobre eles mesmos quanto sobre suas comunidades, escolas e famílias. Com efeito, o desenvolvimento sustentável do país apoia-se nesses jovens que, dotados de um saber produtivo, de competências práticas e de um espírito positivo, se tornam verdadeiros agentes da mudança.
Um dia a bordo do Chanuka Express

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 © Jacaranda Designs Ltd
Que ações deverão ser empreendidas contra a mudança climática?
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Em cada manhã, os animadores do projeto pegam o Chanuka Express, em Nairobi, para se dirigirem a uma escola do programa carregados com ferramentas, suportes de ensino e material artístico, incluindo exemplares de Young African Express, uma revista de educação publicada mensalmente pela Jacaranda Designs. Respaldada no programa escolar queniano, a revista está repleta de artigos ilustrados, histórias em quadrinhos, informações e jogos focalizados nas competências indispensáveis ao dia a dia.
Ao chegarem na escola, eles se encontram com o grupo de jovens retransmissores, acompanhados por professores e por outros membros da comunidade; depois de uma breve apresentação de marionetes ou teatro comunitário interativo, cada um integra uma das quatro equipes chanuka sobre o tema previamente escolhido.
Em pequenos grupos, eles fazem representações, realizam experiências, participam de sessões de descoberta ou debates a fim de identificar os problemas locais e de refletir sobre a maneira de resolvê-los. Os jovens retransmissores formam a coluna vertebral dos clubes chanuka, criados em cada uma das escolas do programa: 60 entre os 5 mil estabelecimentos do ensino secundário e 150 entre as 20 mil do ensino primário. O dia de trabalho termina com apresentação tanto dos problemas identificados quanto dos planos de ação elaborados por cada grupo.
O Chanuka Express passa apenas duas ou três vezes por ano em cada escola. No período entre as visitas, em vez de ficarem inativos, os jovens e seus professores dedicam-se à formação de clubes chanuka a partir de equipes temáticas. Além do recrutamento de novos voluntários, as equipes se dirigem a outras escolas para fornecer informações sobre as atividades projetadas e incentivar seus colegas a participarem dessas tarefas. Todas as iniciativas - projetos, dificuldades encontradas, sucessos alcançados - são anotadas em cadernos fornecidos pelo Chanuka Express no momento das visitas de monitoramento e de avaliação das atividades efetuadas.
Uma pequena revolução por 25 centavos

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O Grupo "Segurança" e a animadora Dagmawit.
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Os resultados são impressionantes. Em Nairobi, os membros do clube Chanuka da Escola Primária Evangélica de Baba Dogo se deram conta das consequências desastrosas do absenteísmo no que diz respeito ao desempenho escolar.
Após a realização de uma pesquisa, eles descobriram que os alunos faltavam às aulas por sentirem dores no estômago. A causa do distúrbio? Parasitas intestinais: além de os alunos comerem sem lavar as mãos, a água potável não era suficientemente limpa.
Assim, eles lançaram uma campanha de rastreamento, promovendo a circulação da informação e, em seguida, organizando debates para incentivar a tomada de posição dos colegas. O princípio era simples: para recuperarem a saúde, eles deveriam se livrar dos parasitas com a ingestão de comprimidos. Para comprar o medicamento, bastava que cada membro da comunidade escolar contribuísse com 20 shillings (US$ 0,25) para o projeto.
Os pais aprovaram a iniciativa e demonstraram uma generosidade particular: em breve, o clube estava em condições de colocar o tratamento à disposição de todos - crianças, adolescentes e professores.
Ações semelhantes a esta é que, aos poucos, transformam a educação em fator de desenvolvimento sustentável.
Yvonne Otieno e Susan Scull-Carvalho, da Jacaranda Designs.