ISSN 1993-8616

2009 - número 5


Editorial






© DR
«Mou-ak» (dança folclórica). Obra do artista coreano Kim Ki-Chang que integra parte da coleção da UNESCO desde 1982. Fotógrafo: Patrick Lagès.

Neste ano, a UNESCO celebrou o Dia Mundial da Diversidade Cultural (21 de maio) de maneira especial. Ao longo do mês de maio, dezenas de artistas oriundos dos quatro cantos do planeta deram testemunho da riqueza do patrimônio cultural da humanidade durante o 1o Festival Internacional da Diversidade Cultural. Organizado simultaneamente em vários países e na sede da Organização, em Paris, o Festival é uma prova tangível da afinidade fundamental entre cultura e diversidade, tema desta edição do Correio da UNESCO.




Em seu fundamento, cultura e diversidade são indissociáveis. Com efeito, a cultura é, ao mesmo tempo, especificidade de uma maneira de ser original, reconhecível por suas obras e por seus sinais, além de se vangloriar, com toda a razão, por sua dessemelhança em relação a qualquer outra, sem deixar de ser abertura ao que parece completamente diferente e a seu deslumbramento diante do inédito. Assim, ela é simultaneamente – e, em suma, identicamente –, aprofundamento da diferença e construção permanente do universal: aliás, dois aspectos sempre inacabados e inesgotáveis.

Nesta perspectiva, ela constitui simplesmente o próprio âmago da diversidade, a um só tempo, sua explicitação e seu enriquecimento. Logo, poderíamos afirmar que não há diversidade sem cultura, tampouco cultura sem diversidade.

Tal observação adquire sua real ênfase no limiar de um mundo que, pela primeira vez, se tornou um espaço integrado de diversidade em vez de uma arena em que se justapõem supostas diferenças consideradas naturais ou, simplesmente, culturais, mas sempre insuperáveis. Nós somos, atualmente, os habitantes de uma Terra em que existe apenas uma só humanidade e, talvez, até mesmo um único reino de seres vivos, formado pela totalidade das espécies, expostas conjuntamente à séria ameaça de sua sobrevivência comum. E o conceito que permite pensar tal situação – determinante para o destino do planeta – é, precisamente, o de diversidade.



© UNESCO/Georges Malempré
Jovem da ilha das Celebes (Indonésia).

De fato, ao proceder de uma referência ao universal e, ao mesmo tempo, de uma consideração das singularidades, esse conceito enfatiza conjuntamente essas duas vertentes. Neste sentido, ele propõe ao “espírito dos homens” uma nova abordagem de sua comum condição, a única que corresponde à realidade de seu destino comum; daqui em diante, é vital que ele se torne o bom expediente para sua compreensão do mundo.

Esse tem sido o papel da UNESCO, desde a proclamação de seu Ato Constitutivo e, mais recentemente, por meio da Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural de 2001 e da Convenção sobre a Diversidade das Expressões Culturais de 2005. O Festival Internacional da Diversidade Cultural – promovido, neste ano, simultaneamente em vários países e na sede da UNESCO – teve o objetivo de fazer experimentar a afinidade fundamental entre a cultura e a diversidade.

Ao repercutir as atividades do Festival Internacional da Diversidade Cultural, o presente número do Correio associa-se a essa iniciativa.

Françoise Rivière, Diretora-Geral Adjunta para a Cultura, UNESCO